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sábado, 25 de julho de 2009

BF - Público x Mídia - Quem Ganha com Isso?



Público Charmeiro

Atualmente esse público tem ampliado. E muito do crescimento desse público se deve aos eventos gratuitos de rua. Também cresce em função da maior quantidade de execução de artistas de R&B americanos nas rádios e TVs. A internet também propicia um maior contato com esses artistas, ou seja, é possível atualmente acessar aos sites dos artistas e blogs correlatos. A estética black também está em alta, e muitos adeptos enxergam nos espaços de Charme os lugares perfeitos para suas desenvolturas. Isso também contribui para o aumento do público charmeiro.

Não temos instrumentos nesse momento para mensurar o seu tamanho exato no RJ, mas, por experiência, podemos afirmar que uma parcela importante do jovem morador do subúrbio é charmeiro ou já foi, alguma vez, em uma festa de charme ou conhece alguém que já foi. Outra afirmação é que a sua imensa maioria é composta de negros que compõe a classe C, ou seja, que ganham, em média atualmente, R$ 1062,00 conforme dados do
instituto de pesquisas Ipsos.




Mídia

Aqui o bicho fica mais feio. Posso estar errado, os mais antigos que me corrijam, mas acho que o Charme nunca esteve tão mal na mídia carioca como hoje. Com todas as dificuldades sempre tínhamos um espaçozinho em alguma rádio, nem que tivéssemos que pagar para isso. Atualmente (julho de 2008), em termos de rádio aberta, só temos o experiente e talentoso Fernandinho DJ na rádio Furacão 2000, diariamente, mas que, infelizmente, não chega a todos os bairros do RJ. Uma lástima. Na TV, nem pensar.

Como já afirmei, anteriormente, os responsáveis pelas rádios cariocas, não gostam de pobres e muito menos dos negros. Enquanto, na interpretação deles, o público charmeiro não oferecer alguma oportunidade de negócio, pode ter certeza, o Charme vai ficar fora da grande mídia ainda por muito tempo.


Com o aumento dos eventos gratuitos, a tendência é piorar ainda mais. Muita gente não entendeu, ainda, que espaço em rádio custa dinheiro e que, por causa disso, os seus proprietários não querem correr risco em seus investimentos. Pensemos como eles, os donos de rádio: se podem colocar axé ou funk na programação e atingir o mesmo índice de audiência, porque então abririam o espaço para o Charme. Principalmente quando sabem que, cada vez mais, se ampliam os eventos gratuitos. É furada na certa, entendem eles.


A nossa situação é tão grave, que fica difícil achar a superação desse estado de coisas. Não temos revista, jornal, zine, nenhum informativo. Programa de TV, nem pensar. Nossos sites e blogs são paupérrimos. Atualmente, no que tange ao Charme, só temos um programa de rádio. O bicho tá feio! Em São Paulo, um exemplo bem próximo de nós, a galera Black tem revista, a “Black News”, tem várias rádios comunitárias que tocam somente black music, existe também na faixa aberta, a rádio 105 FM que é praticamente uma rádio de Rap e vários sites importantes.


Recentemente, os paulistas conquistaram na TV Cultura um programa voltado para a cultura da periferia, apresentado pelo MC Rappin’ Hood. Promovem eventos importantes como a “Feira Preta” e o “Agosto Negro”. Enfim, o negócio lá está bem avançado, e nós temos as mesmas condições e até mais tradição com a black music que eles, para avançar nessa direção. Cabe a nós fazermos.


Outro aspecto sobre mídia, que considero super positivo, é a novidade que alguns produtores de bailes pagos desenvolveram utilizando as ferramentas da internet, principalmente o Orkut e as listas e emails, para comunicar com o seu público. Conforme consultas pessoais que fiz, percebo que isso tem possibilitado bons resultados em termos de comunicação, ou seja, as pessoas estão sendo informadas sobre a realização de alguns eventos.


Isso demonstra, também, que usando a cabeça e a criatividade, mesmo quando a situação não é das melhores em termos de mídia, alguns produtores de Charme conseguem dar o pulo do gato e atingir minimamente seus objetivos. Palmas para gente! O mundo globalizado não é de todo ruim.

“MARCELL DJ”

Marcelo Barbosa Santos*

*DJ de R&B desde 1989, produziu 2 Fóruns de DJs de Black Music no RJ.
Historiador/UFF. MBA em Marketing Empresarial/UFF. Mestrando em Educação pela UERJ.

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