Matéria encaminhada por Marcell DJ

A passagem da Equipe Turbo Disco Club no Atlás Atlético Clube é singular e de grande importância para o cenário dançante do início dos anos 80.
Oriunda da famosa boate Gargalo situada no terraço do Shopping do Meier, a equipe Turbo Disco Club em 1981, buscava continuar o seu trabalho na região do Meier, visto que, estava impedida de dar seguimento as suas festas na Boate Gargalo. É nesse contexto, acho que em 1981, que se inicia a atuação da Turbo no Atlás, que era na verdade um clube pequeno e que oferecia somente aos seus associados uma razoável quadra de futebol de salão e um pequeno salão de festas. Situado na rua Villela Tavares, entre os bairros do Meier e Lins de Vasconcelos, o Atlás era um típico clube em formação.
Naquela ocasião, impulsionados pela forte influência dos “Rollers”, a cidade Rio de Janeiro demandava de espaços dançantes onde os adeptos dos patins pudessem curtir um som montados em seus “rollers”. E foi nessa onda que a Turbo Disco Club acabou fazendo do Atlás um dos espaços de vanguarda da turma dos patins. A pista rolava aos domingos, tipo matiné, ou seja, abria às 16h e terminava aproximadamente às 22h.
O nível da festa era de altíssimo nível, comparável somente as vibes do Roxy Roller na Lagoa – Zona Sul e da pista de patinação da Hollywood Discotheque no Casino Bangu, na zona oeste. Diga-se de passagem, que a pista do Atlás era considerada pelos patinadores uma das melhores.
O público frequentador era bem variado, era composto principalmente por gente pobre, como eu, e a típica classe média do bairro do Meier. Lembro-me que em função da patinação, a festa tinha uma freqüência de mulheres alta e sempre estava cheia de gatas. É legal registrar, que era comum aparecer também muita gente da zona sul, visto que a pista e som eram de primeira.
Não lembro exatamente do som em termos de equipamento, mas ficou na minha memória, 8 caixas grandes tipo 4520, distribuídas na lateral da quadra, que eram alimentadas por 2 PM 5000 Polivox e 2 A1 Gradiente, não lembro das pick ups, mas acho que eram da Technics que ligados à um mixer da Tonos compunham o espaço do DJ, que trabalhava ainda de costas para pista e entre as caixas de som.
Por lá passaram vários DJs, mas os que ficaram na minha lembrança foram o Robson Vidal (foto)(onde iniciou a sua carreira como DJ) e o Mario, que, na minha opinião, foi o que mais vingou, pois, era o que tinha mais técnica e apurado gosto musical. Só sei que ele tocava muito. Aliás, esse tal de Mário era um camarada caladão, quase não falava com ninguém, tinha pinta de surfista marombeiro e namorava uma morena, um espetáculo de mulher que morava próximo à minha rua no Lins, Ahhh! Dela eu lembro bem.Curiosamente, onde está o Mário, o camarada sumiu, ninguém mais sabe dele, cadê o cara? Já perguntei por ele ao Robson Vidal e ele também não sabe do paradeiro do DJ.
Nas caixas muita disco funk (charme-r&b), uma pitada de rap (break na época) e sempre os hits nacionais que tocavam na Rádio Cidade. Portanto, tive o privilégio de escutar, Whispers, Destiny, Earth,Wind & Fire, Kool & The Gang, Midnight Star, Odisey, Shalamar, Confunk Shun,Skyy, Cameo, Imagination, misturado com Grand Master Flash, Sugar Hill Gang, Kurtis Blow, Africa Bambata (aliás foi no Atlás que escutei “Planet Rock” pela primeira vez), rolava até Kraftwerk. Para quebrar um pouco e agradar a mulherada sempre tinha a sequência com Rita Lee, Ney Mato Grosso e Guilherme Arantes e outros. Enfim, a pista de patinação sempre estava cheia, e aqueles que não tinham patins ou não gostavam de patinar, a curtição também era garantida pelo bom ambiente proporcionado ali.
Entre os destaques da festa do Atlás, lembro-me de uma bela apresentação, como convidado, do DJ Memê, ainda no início da carreira. Na época, acho que 1983, o Memê já tocava na boate Papagaio e no Roxy Roller.
Não sei exatamente quando o baile acabou, acho que foi por volta de 1985 e o motivo foi a própria queda da moda dos patins. Aos poucos os patinadores foram acabando e a festa foi sendo encerrada.
Recentemente, fiquei sabendo que o terreno onde existia o Atlás foi vendido para a construção de um condomínio. Não sei se é verdade, mas se aconteceu de fato a venda, vai abaixo o concreto, mas a memória viva dos dias vividos no clube permanecem.
MARCELL DJ